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Pr. Eliezer MarcosBíblia • Pregação • Vida espiritual • Ministério
Estudo BíblicoPublicado em 04 de agosto de 20263 min de leitura

“Não temas, mas fala”: a palavra que sustentou Paulo em Corinto (Atos 18.1-11)

Por Pr. Eliezer MarcosBíblia, pregação, vida espiritual e formação ministerial
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Depois da recepção mista em Atenas — parte escárnio, parte curiosidade, um pequeno fruto de conversão —, Paulo chega a Corinto, uma cidade portuária conhecida por sua riqueza, seu comércio intenso e também por sua reputação de imoralidade generalizada. É nesse ambiente desafiador que Deus se dirige a Paulo com uma palavra direta, registrada em Atos 18.9-10, que merece atenção especial.

O contexto: um apóstolo cansado

Antes da palavra de ânimo, o texto mostra Paulo trabalhando como fabricante de tendas junto de Áquila e Priscila (At 18.1-3), pregando nas sinagogas, enfrentando contradição e blasfêmia por parte de alguns judeus (At 18.6), e sendo forçado a declarar, de forma dura, que sua responsabilidade com aquele grupo específico havia terminado. Não é a imagem de um ministério tranquilo e próspero — é a imagem de alguém trabalhando duro, enfrentando rejeição, e sustentando-se financeiramente enquanto ainda tenta abrir espaço para o evangelho.

A palavra que Deus dá exatamente nesse momento

É nesse ponto de possível desgaste que o Senhor fala a Paulo em visão: “Não temas, mas fala, e não te cales; porque eu sou contigo, e ninguém te fará mal; porque muita gente tenho nesta cidade” (At 18.9-10). Três elementos dessa palavra merecem destaque:

1. O chamado a não temer é dado a alguém que já estava servindo. Isso desfaz uma ideia comum de que o medo só aparece em quem está fora da vontade de Deus. Paulo estava exatamente onde deveria estar, e ainda assim precisava dessa palavra de ânimo — sinal de que o temor ministerial não é, por si só, evidência de erro ou desobediência.

2. A promessa não é ausência de dificuldade, mas presença. Deus não promete a Paulo que tudo vai ser fácil dali em diante — promete “eu sou contigo”. A segurança do ministério não está na ausência de oposição, mas na certeza da presença de Deus em meio a ela.

3. Há gente que ainda não se manifestou, mas já pertence a Deus. A frase “muita gente tenho nesta cidade” antecipa um fruto que Paulo ainda não podia ver. Corinto se tornaria uma das igrejas mais significativas do Novo Testamento — mas isso não era visível no momento em que Paulo, cansado, talvez estivesse tentado a desistir.

O resultado prático dessa palavra

Fortalecido, Paulo permanece em Corinto por um ano e meio, ensinando a Palavra (At 18.11) — um período notavelmente longo comparado a outras cidades de sua jornada missionária. A palavra de ânimo não produziu apenas sentimento passageiro; produziu permanência e continuidade no trabalho.

Uma aplicação direta para hoje

Muitos que servem em ministério carregam a sensação silenciosa de que sentir medo, cansaço ou desânimo é, em si, sinal de falta de fé ou de estar fora do propósito de Deus. O episódio de Corinto ensina o contrário: é possível estar exatamente no centro do chamado e, ainda assim, precisar ouvir “não temas”. A resposta de Deus ao medo de Paulo não foi removê-lo do trabalho, nem repreendê-lo por sentir — foi reafirmar sua presença e revelar um fruto que ele ainda não conseguia enxergar.

Se esta semana você está numa “Corinto” pessoal — um contexto difícil, hostil ou desgastante —, talvez a pergunta certa não seja “por que ainda sinto medo?”, mas “onde está a promessa de presença que Deus já fez a mim, mesmo em meio a isso?”


“E Paulo ficou ali ano e meio, ensinando entre eles a palavra de Deus.” (At 18.11)

Sobre o autor

Pr. Eliezer Marcos

Pastor, pregador, professor bíblico e produtor de recursos para quem deseja crescer na Palavra e servir melhor a Deus.

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